sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A necessidade da doutrina.

                Existe uma tendência, em circulos religiosos hoje em dia, no sentido de negar a necessidade de quaisquer doutrinas religiosas. Não é difícil descobrir as causas dessa antipatia para com as doutrinas. Uma delas é a exagerada ênfase que se deu no passado à doutrina, em comparação com o caráter cristão.
                Não há dúvida de que os teólogos algumas vezes se arrogaram saber mais do que realmente conheciam. Uma prática um tanto agnóstica, reage contra este espírito "sabe tudo" em teologia.
                A era teológica no desenvolvimento da religião vai rapidamente passando. Outra coisa que contribui para essa tendência é o desejo de evitar conflito entre doutrina religiosa e pontos de vista de correntes científicas e filosóficas.
                Essa reação contra a doutrina é em parte justificável como se torna evidente se considerarmos as razões que a produziram; porém, com todas as reações contra os extremismos, ela também foi ao extremo. A doutrina é para a religião o que o esqueleto é para o corpo humano, ou seja, dá precisão e poder de mobilidade. A doutrina é necessária à religião pelas seguintes razões:
                a) Porque o homem é um ser racional e a religião envolve-o integralmente. Não é apenas assunto de sentimento ou atividade. Se a religião fosse apenas assunto de sentimento, talvez não fosse necessária à doutrina, de fato nem seria possível.
                b) Se a religião fora atividade sem pensamento, então atividade seria cega e sem propósito. O sentimento tem um lugar na religião, um lugar essencial; já o sentimento deve ser orientado pela inteligência e ser racionalmente controlado, ou converter-se-á em fanatismo cego e sem sentido.
                c) religião envolve atividade, mas atividade necessita de direção inteligente. Doutrina é o elemento de inteligência na religião. O Cristianismo considera Deus um Ser inteligente que se aproxima do homem como um ser intelectual também.

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