terça-feira, 22 de julho de 2014

Paulo de Tarso

           O apóstolo Paulo nasceu entre os anos 5 e 10 dC, na cidade de Tarso da Cilicia (At 9.11; 21.39; 22.3). Era filho de judeus, da tribo de Benjamim e como era o costume foi circuncidado ao oitava dia. Jerônimo informa que seus pais eram de Giscala, na Galiléia. Paulo cresceu seguindo a mais perfeita tradição judaica (Fp 3.5). Tinha uma irmã e um sobrinhoo que moravam em Jerusalém (At 23.16). Sua profissão era artesão, fabricante de tendas (At 18.3). O seu estado civil também é um tanto incerto, ainda que na maioria das vezes se afirme que era solteiro. De fato, em 1 Cor 7.8 ele escreve "aos solteiros e às viúvas, digo que seria melhor que ficassem como eu". Mas em 1 Cor 9.6 ele escreve "Não temos o direito de levar conosco nas viagens uma mulher cristã, como fazem os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Pedro?".
           Ainda jovem foi para Jerusalém e, na escola de Gamaliel, se especializou no conhecimento da sua religião. Tornou-se fariseu, ou seja, especialista rigoroso e irrepreensível no cumprimento de toda a lei e seus pormenores (At 22.3).
           Cheio de zelo pela religião, começou a perseguir os cristãos (Fp 3.6; At 22.4; 26.9-12; Gl 1.13). Esteve presente no martírio de Estevão, cujos mantos foram depositados aos seus pés (At 7.58). Continuou perseguindo a Igreja (At 8.1-4; 9.1-2) até que se encontrou com o Senhor na estrada de Damasco (At 9.3-19). A experiência com Jesus mudou completamente a sua vida. De perseguidor passou a ser anunciador até a sua morte, provavelmente em 68 dC.

BARBAGLIO, G. AS CARTAS DE PAULO I (COLEÇÃO BÍBLICA 4. SÃO PAULO: LOYOLA 1989) P. 507
BARBAGLIO, G. AS CARTAS DE PAULO II (COLEÇÃO BÍBLICA 5. SÃO PAULO: LOYOLA 1991) P. 430
BORTOLINI, J. INTRODUÇÃO A PAULO E SUAS CARTAS (SÃO PAULO: PAULUS, 2001) P. 106
BOTOLINI, J. COMO LER A CARTA... (COLEÇÃO “COMO LER – UM VOLUME PARA CADA CARTA DE PAULO” SÃO PAULO: PAULUS, 1991-2002)
FABRIS, R. AS CARTAS DE PAULO III (COLEÇÃO BÍBLICA 6. SÃO PAULO: LOYOLA 1992) P. 543
SACCHI, A. E COLLABORATORI. LETTERE PAOLINE E ALTRE LETTERE (LOGOS 6. ELLE DI CI, TORINO 2002)




segunda-feira, 21 de julho de 2014

Cartas de Paulo

Introdução:
               Nos escritos do NT encontramos vinte e uma cartas. Treze delas são atribuídas ao apóstolo Paulo (algumas tem sua autoria questionada, como veremos adiante), e outras são colocadas sob a autoridade de outras figuras significativas da igreja primitiva: duas são de Pedro; três de João; uma de Tiago e uma de Judas. E temos a "carta" aos Hebreus de um autor desconhecido. Para a fé cristã estes escritos tem uma grande importância, seja porque são canônicos", seja porque deram origem à sucessiva reflexão teológica. Lendo as cartas percebe-se logo que os autores manifestam um vivo testemunho da vida das primeiras comunidades. Estas cartas enriquecem muito o quadro que obtemos do livro dos Atos dos Apóstolos, composto no final do primeiro século.
               As cartas paulinas são uma reflexão teológica ou pastoral num segundo momento (com excessão da carta aos romanos). Antes disso, houve o trabalho missionário de fundar e organizar as comunidades. É certo que o número de comunidades fundadas pelo apóstolo Paulo e seus companheiro foi muito maior daquelas que receberam alguma carta. Outra constatação importante é que não foi possível conservar todos os escritos paulinos. Algumas cartas se perderam e não estão no cânon bíblico.
               Antes do estudo propriamente dito das cartas paulinas, vamos conhecer um pouco melhor a figura do seu autor. Sem conhecê-lo bem, é também sempre mais difícil entender toda a riqueza da sua mensagem. O ambiente e o contexto de cada uma das comunidades será conhecido por ocasião do estudo particular de cada carta.

BIBLIOGRAFIA

BARBAGLIO, G. AS CARTAS DE PAULO I (COLEÇÃO BÍBLICA 4. SÃO PAULO: LOYOLA 1989) P. 507
BARBAGLIO, G. AS CARTAS DE PAULO II (COLEÇÃO BÍBLICA 5. SÃO PAULO: LOYOLA 1991) P. 430
BORTOLINI, J. INTRODUÇÃO A PAULO E SUAS CARTAS (SÃO PAULO: PAULUS, 2001) P. 106
BOTOLINI, J. COMO LER A CARTA... (COLEÇÃO “COMO LER – UM VOLUME PARA CADA CARTA DE PAULO” SÃO PAULO: PAULUS, 1991-2002)
FABRIS, R. AS CARTAS DE PAULO III (COLEÇÃO BÍBLICA 6. SÃO PAULO: LOYOLA 1992) P. 543
SACCHI, A. E COLLABORATORI. LETTERE PAOLINE E ALTRE LETTERE (LOGOS 6. ELLE DI CI, TORINO 2002).

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Palavras para pecado no Antigo Testamento

              Ra´a. Outra palavra hebraica que tem seu equivalente no grego como Kakos ou poneros e traz a ideia básica de romper, quebrar: "aquilo que causa dano, dor ou tristeza". É um tipo de pecado deliberado, malicioso, planejado, que provoca e enfurece. Dá a ideia de "ser mau" (Gn 8.21; Êx 334; Jr 11.11; Mq 2.1-3). Indica também algo injurioso e moralmente errado. São os pecados expressos por violência (Gn 3.5; 38.7; Jz 11.27). O profeta Isaías profetizou que Deus criou a luz e as trevas, a paz e o ra´a (Is 45.7). É o mal em forma de calamidade, ruína, miséria, aflição, infortúnio. Deus não tem culpa do mal existente, porque, na verdade, a responsabilidade pelos pecados cometidos recai, à luz da Bíblia, sobre a criatura rebelde, transgressora e incriminada, e não sobre o Criado. Rama quer dizer "enganar"; dá a ideia de prender numa armadilha, num laço. Implica, portanto, um tipo de pecado em forma de cilada para outro cair. É uma forma de enganar e agir traiçoeiramente (Sl 32.2; 34.13; 55.11; Jó 13.7; Is 53.9).
             Pata. É um termo que dá a ideia de seduzir. O sentido literal da palavra é "ser aberto" ou "abrir espaço" para o pecado ter livre curso. No Éden, Adão e Eva se deixaram seduzir pelo engano do pecado e pelo pai do pecado (Satanás), personificado numa serpente (Gn 3.4-7). Shagag O sentido aqui é "errar" ou "extraviar-se", como uma ovelha ou um bêbado (Is 28.7). É um tipo de erro pelo qual o transgressor torna-se responsável, ante a lei divina que condena o seu erro, pecado (Lv 4.2; Nm 15.22). Rasha´. Esta palavra aparece especialmente nos Salmos, como a ideia de impiedade ou perversidade. O sentido metafórico é o pecado em oposição à justiça (Êx 2.13; Sl 9; Sl 16; Pv 15.9; Ez 18.23).
               Ta´a. Este vocábulo se refere ao ato de extravio deliberado. Não se trata de algo acidental, e sim algo que uma pessoa comete sem perceber o fruto negativo gerado pelos seus atos pecaminosos (Nm 15.22; Sl 58.3; 119.21; Is 53.6; Ez 44.10,15).

segunda-feira, 10 de março de 2014

Palavras para pecado na Bíblia

              No Antigo Testamento encontramos pelo menos oito palavras básicas que conceituam o pecado. A primeira: Hatta´t, este vocábulo, que aparece 522 vezes nas páginas veterotestamentárias, e seu termo correlato no Novo Testamento - hamartia - sugerem a ideia de "errar o alvo", ou "desviar-se do rumo", como o arqueiro antigo que atirava as suas flechas e errava o alvo. Porém, o termo também sugere alguém que atirava as suas flechas e errava o alvo. Porém, o termo também sugere alguém que erra o alvo propositadamente; ou seja, que atinge outro alvo intencionalmente.
              Não se trata de uma ideia passiva de erro, mas implica uma ação proposital. Significa que cada ser humano tem da parte de Deus um alvo definido diante de si para alcançá-lo. O termo em apreço denota tanto a disposição de pecar como o ato resultante dela. Em síntese, o homem não foi criado para o pecado. (Lv 16.21; Sl 1.1; 51.4; 103.10; Is 1.18; Dn 9.16; Os 12.8).
              A segunda palavra: Peshá, o sentido tradicional dessa palavra é "transgredir", "rebelar", "revoltar-se". Porém, uma variante forte para defini-la implica o ato de invadir, de ir além, de rebelar-se. O termo aponta para alguém que foi além dos limites estabelecidos (Gn 3136; I Rs 12.19; II Rs 3.5; Sl 51.13; 89.32; Is 1.2; Am 4.4).

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O culto cristão nos primórdios da história eclesiástica

O culto cristão no primórdios da História eclesiástica


Catacumba no período da Igreja primitiva

Informações sobre a ordem do culto em meados do segundo século são mais amplas e podem ser encontradas na Primeira Apologia de Justino Mártir e no Didaquê. O culto, que acontecia no "dia do sol", começava com a leitura das "memórias dos apóstolos" ou dos "escritos dos profetas" até quando "o tempo permitisse". Uma exortação ou homilia, baseada na leitura, era então feita pelo que presidia a reunião. A congregação ficava de pé para a oração. A celebração da ceia do Senhor seguia o beijo da paz. Os elementos do pão e da "água e vinho" eram dedicados por ação de graças e oração, às quais o povo respondia com "amém". Os diáconos distribuíam então os elementos para as casas daqueles que não podiam estar presentes à reunião. Por fim, tirava-se uma coleta para ajudar as viúvas e os órfãos, os doentes, os prisioneiros e os estrangeiros. A reunião então se encerrava e todos voltavam para suas casas. A ceia do Senhor e o batismo eram os dois sacramentos da Igreja Primitiva, usados por terem sido instituídos por Cristo. A imersão parece ter sido amplamente praticada no primeiro século, mas, de acordo com o Didaquê, o batismo podia ser ministrado com água na cabeça do batizando, se não houvesse nenhum rio ou uma grande quantidade de água à disposição. Somente os batizados participavam da Ceia.
pág 71 - O Cristianismo através dos séculos - Uma História da Igreja Cristã - Earle E. Cairns - Vida Nova.